A história do Dia Mundial da Limpeza

Por João Malavolta

Criado no ano de 1986 pela organização Norte-Americana Ocean Conservancy, o “International Coastal Clean Up” ou em tradução literal, “Limpeza Costeira Internacional”, foi o primeiro movimento organizado no mundo a realizar campanhas de limpeza em cidades costeiras, envolvendo comunidades inteiras, que ajudaram a produzir algumas das primeiras pesquisas e relatórios sobre poluição nas praias e seus ambientes associados.

A ideia da mobilização acontecer sempre na terceira semana do mês de setembro, coincide com o final do verão no hemisfério norte. Ou seja, devido aos meses mais quentes as áreas públicas como parques e praias recebem um aumento significativo de visitantes e por consequência esses locais acabam ficando mais sujos e poluídos e o sentido da ação nesse período se torna mais efetivo.

Com o trabalho já desenvolvido nos Estados Unidos, surgiu na Austrália em 1993, o projeto “Clean Up the World”, que traz como mensagem a frase “Limpe o Mundo”. O projeto também se propôs ser um programa de engajamento social para limpeza da costa australiana e ilhas da Oceania.

Ambas as campanhas tiveram o mesmo foco de atuação, porém os australianos conectaram um diferencial executivo com a promoção de anos temáticos sobre: clima, biodiversidade, juventude, florestas e comunidades em um calendário global que contou com a parceria do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

No total as duas campanhas juntas já somaram mais de 50 milhões de voluntários mobilizados, distribuídos em cerca de 150 países nesses últimos 34 anos, se transformando em um amplo movimento global de mobilização e engajamento comunitário de combate a poluição por resíduos sólidos.

No Brasil as ações de limpeza inspiradas no formato norte-americano e australiano chegaram ao país promovidas por organizações autônomas no final dos anos de 1990 e começo de 2000, que definiram as campanhas pelos nomes “Dia Mundial da Limpeza” e “Dia Mundial da Limpeza em Rios e Praias”. Ambos os títulos são usados até hoje pelos grupos, clubes, instituições da sociedade civil, poder público, coletivos e empresas que também lideram mobilizações em todo território nacional e promovem o Dia Mundial da Limpeza no mês de setembro e que por aqui é a chegada da primavera.

Mais tarde, em 2008, na Estônia, nasceu outro movimento de limpeza denominado “World Cleanup Day”, que traduzido para o português tem como nome “Dia Mundial da Limpeza”, o mesmo utilizado historicamente no Brasil. Estas ações que começaram no Norte da Europa cumprem objetivos similares as campanhas iniciadas nos anos 80 e 90 ao redor do mundo.

Contudo, o Dia Mundial da Limpeza com seus diferentes nomes e identidades visuais de acordo com o país de origem é um dos movimentos globais de cuidado com o Planeta mais inspirador e efetivo que existe. Ele cria momentos de conexão e reflexão onde pessoas se unem para despoluir os lugares onde vivem, frequentam, praticam atividades físicas, de lazer ou esportivas e muito mais. A ideia é simples, voluntários atuam na limpeza da sua comunidade, transformando o ambiente em um local mais agradável e saudável para se viver.

O Instituto Ecosurf desde o ano 2000 mobiliza ações para despoluição das praias e promove o Dia Mundial da Limpeza na terceira semana de setembro. Somando a esse esforço internacional, dezenas de grupos e organizações distribuídas por todo Brasil também são parte histórica desse movimento, como a Associação Socioambientalista Somos Ubatuba (ASSU), Instituto Terra & Mar, Projeto Jogue Limpo com nossas Praias, Pampulha Limpa, Projeto Limpando o Mundo, Instituto Monitoramento Mirim Costeiro (IMMC), SOS Moçambique, Instituto BIOTA, projetos da Rede BIOMAR, Instituto Aqualung e muitos outros, que lideram em seus territórios e cidades as ações de acordo com suas especificidades, capacidades de mobilização e organização de voluntários.

Qualquer cidadão pode ser um promotor e liderar o Dia Mundial da Limpeza independente de estar vinculado a alguma instituição ou movimento. As atividades desenvolvidas no contexto brasileiro para a campanha variam desde a coleta do lixo jogado nas praias, rios e ruas, o monitoramento da poluição, ações educativas, concertos ambientais, exibições fotográficas e de filmes, plantio de árvores e estabelecimento de centros de reciclagem, por exemplo. Geralmente as ações são realizadas em locais públicos como praias, margem de rios e córregos, parques, praças entre outros, definidos pelos grupos ou indivíduos que se dedicam a organizar a celebração da data.
Semana Mares Limpos

Em 2017 o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em parceria com o Instituto Ecosurf em um esforço inédito, criaram a #SemanaMaresLimpos com o objetivo de conectar e integrar grupos em todo o Brasil que atuam no mês de setembro com campanhas voluntárias de limpeza nas cidades para constituir uma grande rede nacional – Rede Mares Limpos de atores e organizações.

A intenção da #SML foi fortalecer esses grupos e amplificar suas vozes, reconhecendo o seu trabalho, dedicação e chamando a atenção para o impacto que nossas atividades cotidianas têm no ambiente. Além disso, a semana oportunizou a participação de escolas da rede pública e privada na realização de ações de combate ao lixo nos rios e no mar.

A primeira #SML foi um sucesso: em 2017, 136 grupos brasileiros e 2 internacionais se inscreveram e quase 10 mil pessoas mobilizadas, diretas e indiretamente. As informações registradas por parte desses grupos permitiram através de um método próprio de catalogação de resíduos e sistematização de dados, a realização do primeiro relatório nacional sobre os tipos de resíduos mais encontrados à partir de ações voluntárias de limpeza. Os dados apresentados serviram de alerta sobre hábitos de consumo que podem ser mudados e também sobre a necessidade de rever a produção e o descarte de determinados itens.

Com informações: Ecosurf, Ocean Conservancy, Clean Up The World, Let’s Do It World e ONU Meio Ambiente.

EcoSurf no programa “Papo Sustentável”

Participação do Instituto Ecosurf no programa “Papo Sustentável” durante o encerramento da campanha Verão no Clima, que aconteceu nesta manhã no auditório da Secretaria do Meio Ambiente do estado de São Paulo.

O evento contou com a presença dos secretários de Meio Ambiente de cidades do litoral paulista, colaboradores da campanha, monitores e instituições da sociedade civil.

Durante as falas oficiais o Secretário Estadual, @mauriciobrusadin, manifestou publicamente a intenção do governo em aumentar as Áreas Marinhas Protegidas na costa paulista, além de iternalizar uma “Agenda Azul” com ações que visem o cuidado com os oceanos nas mais diversas dimensões da administração pública e da sociedade.

Para o dirigente do Ecosurf e embaixador Mares Limpos, no Brasil, @joaomalavolta, os anúncios são um ótima novidade. “Aumentar as áreas marinhas protegidas é extremamente importante e estratégico para conservação, no entando, ainda existem APAs Marinhas estaduais instituídas sem Plano de Manejo, estrutura de fiscalização adequada e pouco pessoal com capacidade técnica para gerir com qualidade esses territórios”, comenta.

Novos anúncios sobre as ações da secretaria devem ser feitos durante as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente no mês de junho.

#Ecosurf #MaresLimpos #CleanSeas #MarSemPlástico #EntreNessaOnda#VerãoNoClima @ Secretaria do Meio Ambiente do Estado de SP

 

Participação do Instituto Ecosurf durante a oficina do programa Municipio Verde e Azul da Secretaria de Meio Ambiente do estado de São Paulo, Fábrica de Educação Ambiental, em Itanhaém-SP.

A iniciativa tem como objetivo estabelecer uma escuta social para reformar com subsídios da sociedade civil e poder público o decreto que estabeleceu a Política Estadual de Educação Ambiental.

Na imagem o consultor técnico do Ecosurf, @joaomalavolta, apresentando as propostas discutidas por um dos grupos de trabalho no evento. “Entre os desafios que a difusão e o enraizamento da educação ambiental no estado passam, estão a ausência de projetos consistentes, efetivos e continuados nos municípios paulistas. A falta de recursos financeiros e técnicos inviabilizam programas e a execução de políticas que visem promover a construção de cidades educadoras”, comenta.

Além do Instituto Ecosurf participaram da oficina enquanto sociedade civil os nossos parceiros do @projetoalbatroz com representantes do programa Coletivo Jovem Albatroz.

#Ecosurf #EducaçãoAmbiental #PolíticasPúblicas #SãoPaulo @ Itanhaém, Brazil