Instituto Ecosurf INSTITUTO · DESDE 2000
FAÇA PARTE ♥ DOE

NOTÍCIAS · INSTITUTO ECOSURF

Itanhaém entra na Rede Mundial de Cidades de Surf no encontro que celebrou os 15 anos da WSCN

25 de outubro de 2026
Encontro Anual da World Surf Cities Network 2026, na Ericeira, Portugal (foto 35)

Realizado em Ericeira, encontro internacional da World Surf Cities Network reuniu representantes de diferentes países para debater economia, turismo, inovação, inclusão e sustentabilidade. Itanhaém foi aprovada como nova integrante da rede, enquanto Santos recebeu o prêmio de Cidade Mais Inclusiva. Instituto Ecosurf participou dos debates e apresentou a plataforma Valor das Ondas.

ERICEIRA, PORTUGAL | 25 DE OUTUBRO DE 2026. A vila portuguesa de Ericeira, reconhecida internacionalmente por suas ondas e por abrigar a primeira Reserva Mundial de Surf da Europa, recebeu, entre os dias 20 e 23 de outubro, o Encontro Anual da World Surf Cities Network (WSCN), a Rede Mundial de Cidades de Surf. A edição celebrou os 15 anos da organização e reuniu representantes internacionais para discutir o papel do surf no desenvolvimento econômico, social, cultural, ambiental e a proteção dos territórios costeiros e marinhos onde o surf é praticado.

O encontro foi marcado pela ampliação da participação brasileira na organização, com a aprovação das candidaturas de Itanhaém, no litoral centro de São Paulo, e Imbituba, em Santa Catarina, que passam a integrar a rede a partir de janeiro de 2027. Com as novas adesões, o Brasil contará com três cidades-membro, incluindo Santos, no litoral paulista.

A presença brasileira também ganhou destaque na conferência internacional Where Waves Create Value: Surf, Inovação e Desenvolvimento Sustentável do Território, realizada no dia 22 de outubro, quando João Malavolta, cofundador e CEO do Instituto Ecosurf, participou como debatedor da mesa sobre Economia do Surf e Desenvolvimento do Território.

Durante sua participação, Malavolta apresentou a experiência do Instituto Ecosurf na conservação do Oceano e dos Ecossistemas de Surf, além da plataforma Valor das Ondas, iniciativa brasileira em desenvolvimento que busca produzir conhecimento e evidências sobre os benefícios econômicos, sociais, ambientais, culturais e territoriais associados às ondas.

Itanhaém esteve representada oficialmente pelo secretário municipal de Turismo, Rodrigo Zanella, que acompanhou a Assembleia Geral da organização, os debates internacionais e as atividades institucionais realizadas em Ericeira.

Santos, por sua vez, contou com a participação de Cisco Araña, embaixador global da WSCN e referência internacional no surf inclusivo, e César Augusto Andrade, da Blue Med Saúde, representante oficial do município na organização. A dupla acompanhou as atividades internacionais e compartilhou a experiência santista de utilização do surf como instrumento de inclusão social, saúde e transformação de vidas.

O encerramento, na sexta-feira (23), foi marcado pelas celebrações na praia de Ribeira d’Ilhas, pela entrega dos WSCN Awards 2026 e pela transição da presidência internacional da organização para Bahía de Banderas, no México, que assumirá a liderança da rede em 2027.

Itanhaém conquista reconhecimento internacional como cidade de surf

A aprovação de Itanhaém aconteceu durante a Assembleia Geral da WSCN, realizada na quarta-feira (21), no Hotel Vila Galé Ericeira, com a participação de representantes das cidades-membro europeias e latino-americanas.

Assembleia Geral da World Surf Cities Network, no Hotel Vila Galé Ericeira, onde a candidatura de Itanhaém foi aprovada
Assembleia Geral da World Surf Cities Network, no Hotel Vila Galé Ericeira, onde a candidatura de Itanhaém foi aprovada. Foto: Divulgação

A candidatura recebeu votos favoráveis dos representantes da organização, consolidando um processo de articulação institucional iniciado pelo Instituto Ecosurf e desenvolvido em cooperação com a Prefeitura de Itanhaém, por meio da Secretaria Municipal de Turismo.

Essa conquista é da comunidade do surf de Itanhaém. Uma proposta que nasceu na sociedade civil chegou a uma rede internacional porque a cidade abraçou o projeto. Agora o nosso compromisso é transformar esse reconhecimento em políticas que protejam as ondas e gerem oportunidades para quem vive delas.

João Malavolta, cofundador e CEO do Instituto Ecosurf

A iniciativa foi apresentada pelo Instituto Ecosurf ao prefeito Tiago Cervantes no mês de agosto e mobilizou diferentes setores da administração municipal e da comunidade do surf.

Sob a coordenação técnica de João Malavolta, foram realizados levantamentos de informações, elaboração de um dossiê técnico, histórico e cultural, análise da cadeia econômica do surf, identificação das características do litoral, sistematização de indicadores turísticos e articulação com organizações e representantes locais.

O trabalho de articulação, desenvolvimento técnico e participação internacional do Instituto Ecosurf foi custeado com recursos próprios da organização, sem aporte de recursos públicos para essas atividades.

Em setembro, Itanhaém havia recebido o status de Surf City Aspirante, após cumprir as exigências estabelecidas pelo Comitê de Novas Cidades da WSCN. A aprovação na Assembleia Geral representa a conclusão dessa etapa e a confirmação de sua entrada na organização.

Com aproximadamente 26 quilômetros de litoral, 15 picos de surf identificados e uma trajetória de mais de seis décadas ligada à modalidade, Itanhaém reúne um patrimônio natural e cultural que ultrapassa a dimensão esportiva.

A cidade abriga escolas de surf, atletas, fabricantes de pranchas, comerciantes, fotógrafos, artistas, organizações comunitárias e iniciativas de preservação da memória esportiva, como o Museu do Surf de Itanhaém.

A relação histórica com as ondas, associada à presença de ambientes naturais de elevada relevância ecológica, constitui uma oportunidade para desenvolver estratégias que integrem turismo, economia, esporte, cultura, educação e conservação ambiental.

A candidatura também ganhou dimensão pública com a campanha Surf City Itanhaém, a mobilização de mais de 2 mil assinaturas para uma carta de apoio e a realização da Noite do Surf, em 14 de outubro, no restaurante Taquarú, na Praia dos Sonhos. O encontro reuniu atletas, fabricantes de pranchas, empresários, dirigentes, artistas, representantes do poder público e organizações da comunidade.

A entrada na WSCN abre novas possibilidades de cooperação internacional, intercâmbio de conhecimentos e desenvolvimento de projetos conjuntos com municípios que compartilham desafios semelhantes.

Mais do que um reconhecimento ou instrumento de promoção turística, a conquista representa a oportunidade de construir uma agenda de longo prazo para o desenvolvimento sustentável do território, promoção e ampliação da cultura surf.

Rodrigo Zanella representa oficialmente Itanhaém no encontro internacional

A participação do secretário municipal de Turismo, Rodrigo Zanella, reforçou o envolvimento da Prefeitura de Itanhaém no processo de candidatura e na articulação internacional do município.

Durante o encontro, Zanella acompanhou a Assembleia Geral da WSCN, as atividades institucionais e os debates dedicados à economia do surf, ao turismo e à valorização dos destinos costeiros.

O secretário também participou da abertura da exposição fotográfica comemorativa dos 15 anos da World Surf Cities Network, que reuniu imagens das cidades integrantes da organização, apresentando suas paisagens, identidades culturais e patrimônios naturais e históricos.

Rodrigo Zanella e João Malavolta junto ao painel de Itanhaém na exposição dos 15 anos da WSCN, na Ericeira
Rodrigo Zanella e João Malavolta junto ao painel de Itanhaém na exposição dos 15 anos da WSCN, na Ericeira. Foto: Divulgação

Itanhaém esteve representada na exposição por fotografias de Níkolas Schukkel, que retrataram diferentes aspectos da paisagem do município, incluindo a orla marítima e monumentos históricos, como o Convento Nossa Senhora da Conceição, localizado no Morro do Itaguaçu. As imagens levaram ao público internacional referências do patrimônio histórico, cultural e paisagístico da cidade, valorizando sua identidade para além das ondas.

Os dois painéis de Itanhaém na exposição: a orla ao entardecer e o Convento Nossa Senhora da Conceição iluminado
Os dois painéis de Itanhaém na exposição: a orla ao entardecer e o Convento Nossa Senhora da Conceição iluminado

Os dois painéis de Itanhaém na exposição: a orla ao entardecer e o Convento Nossa Senhora da Conceição iluminado. Fotos dos painéis: Níkolas Schukkel. Foto: Divulgação

A presença de Itanhaém na exposição comemorativa também contribuiu para ampliar a visibilidade internacional do município, apresentando sua relação com o litoral, sua história e seus atributos naturais a representantes de diferentes cidades de surf do mundo.

A participação do secretário proporcionou oportunidades de aproximação com gestores públicos e representantes de outras cidades-membro, além do conhecimento de experiências internacionais de planejamento, gestão e desenvolvimento de territórios associados ao surf.

A cooperação entre a Secretaria Municipal de Turismo e o Instituto Ecosurf foi fundamental para estruturar a candidatura e apresentar à rede uma visão abrangente das potencialidades de Itanhaém.

Integrar a World Surf Cities Network coloca Itanhaém no mapa internacional do surf e abre portas para parcerias, turismo e novos investimentos. É o resultado do trabalho conjunto entre a Prefeitura, o Instituto Ecosurf e a comunidade.

Rodrigo Zanella, secretário municipal de Turismo de Itanhaém

Entre os desafios que se abrem com a integração internacional estão a construção de políticas públicas específicas, a qualificação da infraestrutura de apoio ao surf, a promoção do turismo responsável, a valorização dos negócios locais e a proteção das praias e dos Ecossistemas de Surf.

A experiência demonstra a importância da colaboração entre poder público, organizações da sociedade civil, setor produtivo e comunidades na formulação de estratégias de desenvolvimento territorial.

João Malavolta participa de debate internacional sobre economia do surf

Um dos principais momentos da programação foi a Conferência Internacional Where Waves Create Value: Surf, Inovação e Desenvolvimento Sustentável do Território, realizada na quinta-feira (22), na Sala Atlântico, no Parque de Santa Marta, em Ericeira.

A conferência reuniu representantes de municípios, especialistas, organizações e profissionais ligados ao turismo, à economia do surf e à sustentabilidade.

Público da Conferência Internacional Where Waves Create Value, na Sala Atlântico, Parque de Santa Marta
Público da Conferência Internacional Where Waves Create Value, na Sala Atlântico, Parque de Santa Marta. Foto: Divulgação

Organizada em cinco mesas temáticas, a programação abordou os impactos econômicos da modalidade, as oportunidades de desenvolvimento territorial, o turismo, a valorização dos destinos, a relação entre o Oceano e as comunidades, a sustentabilidade e a cooperação internacional.

João Malavolta participou da primeira mesa-redonda, intitulada Economia do Surf e o Desenvolvimento do Território, realizada entre 10h e 11h.

O painel reuniu também Sylvie Lavergne, de Lacanau, na França; Marta Pontes, vereadora de Matosinhos, em Portugal; e Ricardo Rego, vereador de Viana do Castelo, também em Portugal. A moderação foi conduzida por Jokin Arroyo, embaixador da World Surf Cities Network.

Mesa-redonda Economia do Surf e o Desenvolvimento do Território, com João Malavolta entre os debatedores
Mesa-redonda Economia do Surf e o Desenvolvimento do Território, com João Malavolta entre os debatedores. Foto: Divulgação

O debate colocou em discussão a importância das ondas para a economia das cidades e a necessidade de compreender os diferentes valores produzidos pela relação entre o surf e os territórios costeiros.

Escolas de surf, fabricantes de pranchas, hospedagem, comércio, gastronomia, eventos, serviços e produção cultural formam uma cadeia de atividades que movimenta recursos, gera trabalho e renda e fortalece a identidade local.

Entretanto, a importância das ondas não se limita aos resultados econômicos diretos. Seu valor também está associado ao patrimônio natural, à cultura, à qualidade de vida, à educação, às relações comunitárias e à conservação dos ambientes costeiros e marinhos.

Essa perspectiva esteve presente na contribuição de Malavolta, que levou ao encontro a experiência acumulada pelo Instituto Ecosurf ao longo de 26 anos de atuação socioambiental, conectando a cultura do surf à mobilização comunitária, à proteção do Oceano e ao desenvolvimento sustentável dos territórios.

A participação brasileira reforçou a necessidade de desenvolver instrumentos de planejamento capazes de reconhecer os benefícios proporcionados pelas ondas e demonstrar a importância de sua conservação para o futuro das comunidades.

Valor das Ondas: plataforma brasileira é apresentada na conferência internacional

Em sintonia com o tema central da conferência, João Malavolta apresentou a plataforma Valor das Ondas, disponível em www.valordasondas.org.

João Malavolta apresenta a plataforma Valor das Ondas durante a conferência internacional
João Malavolta apresenta a plataforma Valor das Ondas durante a conferência internacional. Foto: Divulgação

A iniciativa busca desenvolver uma metodologia e uma ferramenta digital capazes de organizar dados e produzir evidências sobre os valores econômicos, sociais, ambientais, culturais e territoriais associados às ondas e aos Ecossistemas de Surf.

A proposta parte de uma questão fundamental: quanto vale uma onda para uma cidade e para as comunidades que dependem dela?

Quando uma cidade entende quanto vale uma onda, ela passa a tratá-la como patrimônio. O Valor das Ondas nasce para dar visibilidade a benefícios que hoje não aparecem nos planos e nas planilhas, e para apoiar decisões que conciliem desenvolvimento e conservação.

João Malavolta

Embora os benefícios do surf possam ser observados em atividades econômicas como turismo, escolas, indústria, comércio e prestação de serviços, uma parcela significativa de seu valor permanece pouco documentada nos instrumentos convencionais de planejamento territorial e avaliação econômica.

A plataforma procura contribuir para preencher essa lacuna, reunindo informações que permitam compreender as relações entre os recursos naturais, as atividades humanas e os benefícios gerados pelos Ecossistemas de Surf.

O objetivo não é simplesmente atribuir um preço às ondas, mas reconhecer suas diferentes contribuições e produzir indicadores que possam apoiar pesquisas científicas, decisões de investimento, políticas públicas e estratégias de conservação.

Entre as dimensões consideradas estão a movimentação econômica associada ao turismo de surf, os negócios e serviços vinculados à modalidade, a geração de empregos, os benefícios sociais e culturais, a identidade territorial e a importância dos atributos ambientais que sustentam a qualidade das ondas.

A iniciativa também procura oferecer uma perspectiva integrada sobre os Ecossistemas de Surf, reconhecendo que uma onda depende de condições naturais que envolvem características geográficas, oceanográficas e ecológicas e que sua manutenção está relacionada à qualidade ambiental do território.

A plataforma encontra-se em fase inicial de desenvolvimento, testes e validação metodológica, com a perspectiva de aprimorar seus indicadores e ampliar sua aplicação em diferentes localidades.

Itanhaém é considerada território de referência para o desenvolvimento de um projeto piloto de valoração das ondas de surf, conectando a ferramenta à estratégia de desenvolvimento territorial construída em torno do projeto Surf City Itanhaém.

A apresentação internacional do Valor das Ondas amplia a discussão sobre a necessidade de reconhecer os Ecossistemas de Surf como ativos naturais e territoriais estratégicos, cujo valor precisa ser considerado nas decisões de gestão costeira, turismo e conservação ambiental.

Ecosurf fortalece sua atuação internacional na proteção das ondas

Fundado em 2000, em Itanhaém, o Instituto Ecosurf completa 26 anos de atuação na mobilização da comunidade do surf e da sociedade para a conservação do Oceano, das praias, dos rios e dos Ecossistemas de Surf.

Ao longo de sua trajetória, a organização desenvolveu campanhas, projetos de educação ambiental, mobilização comunitária, iniciativas de prevenção e combate à poluição marinha e ações de participação social em políticas públicas.

João Malavolta com o certificado de Itanhaém como cidade-membro da World Surf Cities Network
João Malavolta com o certificado de Itanhaém como cidade-membro da World Surf Cities Network. Foto: Divulgação

A atuação institucional também envolve o diálogo com o poder público, o setor privado, instituições científicas e redes de organizações comprometidas com a sustentabilidade.

A participação no encontro da WSCN representa uma oportunidade de ampliar essa articulação internacional, conectando as experiências do Instituto Ecosurf a cidades que reconhecem a importância das ondas para suas economias, culturas e comunidades.

A candidatura de Itanhaém exemplifica essa atuação ao transformar uma proposta originada na sociedade civil em um projeto de cooperação institucional e integração internacional.

Com a aprovação do município, a organização passa a ter uma nova oportunidade de contribuir com a formulação de políticas e iniciativas que associem o fortalecimento da cultura do surf à conservação dos ambientes naturais.

WSCN Awards 2026 reconhece oito iniciativas internacionais

Um dos momentos de destaque do encerramento das comemorações dos 15 anos da World Surf Cities Network foi a entrega dos WSCN Awards 2026, cerimônia destinada a reconhecer cidades, organizações e personalidades que contribuem para o desenvolvimento da cultura do surf, a sustentabilidade, a inclusão social, a inovação e a cooperação internacional.

Celebração dos premiados e das delegações na entrega dos WSCN Awards 2026
Celebração dos premiados e das delegações na entrega dos WSCN Awards 2026. Foto: Divulgação

A anfitriã Ericeira, em Portugal, recebeu o prêmio de Cidade do Ano (City of the Year), enquanto Cabo Blanco, no Peru, foi reconhecida na categoria Proteção das Ondas e do Oceano (Waves and Ocean Protection).

O Brasil esteve entre os destaques. Santos conquistou o prêmio de Cidade Mais Inclusiva (Most Inclusive City), em reconhecimento à sua trajetória de promoção da inclusão social por meio do surf.

A cidade portuguesa de Matosinhos recebeu o prêmio de Inovação no Surf (Surf Innovation), enquanto Arica, no Chile, foi reconhecida como Cidade Mais Sustentável (Most Sustainable City).

Na categoria Cooperação Internacional (International Cooperation Award), o reconhecimento foi destinado a Salinas, no Equador, reforçando a importância da colaboração entre territórios ligados ao surf.

O Viana Surf Clube, de Portugal, recebeu o prêmio Surf Role, enquanto Miguel Barata de Almeida, presidente do Ericeira Surf Clube, foi homenageado com o Personality Award, destinado ao reconhecimento de uma personalidade ligada à trajetória da organização.

Os troféus da edição comemorativa apresentaram uma identidade artística singular, com peças produzidas em madeira e cordas, utilizando formas que representam os diferentes conceitos das categorias de premiação. Os troféus foram produzidos pela Mar de Cordas Rope Design.

Troféus dos WSCN Awards 2026, produzidos em madeira e cordas
Troféus dos WSCN Awards 2026, produzidos em madeira e cordas

Troféus dos WSCN Awards 2026, produzidos em madeira e cordas. Foto: Divulgação

A cerimônia evidenciou a diversidade de contribuições das cidades de surf para seus territórios, demonstrando como a modalidade pode impulsionar iniciativas de inclusão, desenvolvimento econômico, cooperação internacional, inovação e conservação do Oceano.

Cisco Araña e César Andrade representam Santos, premiada como Cidade Mais Inclusiva

Entre os reconhecimentos concedidos pela World Surf Cities Network, o prêmio de Cidade Mais Inclusiva (Most Inclusive City) para Santos ganhou destaque especial na participação brasileira.

O município esteve representado em Ericeira por duas personalidades ligadas à consolidação do surf como ferramenta de inclusão social: Cisco Araña, embaixador global da WSCN, e César Augusto Andrade, executivo da Blue Med Saúde e representante oficial de Santos na organização.

Cisco Araña e César Andrade com o prêmio de Cidade Mais Inclusiva, e o painel de Santos na exposição dos 15 anos
Cisco Araña e César Andrade com o prêmio de Cidade Mais Inclusiva, e o painel de Santos na exposição dos 15 anos

Cisco Araña e César Andrade com o prêmio de Cidade Mais Inclusiva, e o painel de Santos na exposição dos 15 anos. Foto: Divulgação

Surfista e educador, Cisco Araña é uma das principais referências brasileiras no desenvolvimento do surf inclusivo. Sua trajetória está associada à criação e à coordenação das Escolas Públicas de Surf de Santos, iniciativas que ampliaram o acesso gratuito ao esporte e transformaram o contato com as ondas em uma oportunidade de desenvolvimento humano, saúde, socialização e qualidade de vida.

O trabalho realizado em Santos também ganhou reconhecimento internacional por meio dos programas de surf adaptado e de inclusão de diferentes públicos, incluindo pessoas com deficiência e participantes acima de 50 anos.

Em 2025, Cisco Araña foi reconhecido como embaixador global da World Surf Cities Network, ampliando sua participação na promoção e no intercâmbio internacional de experiências relacionadas ao surf inclusivo.

Ao seu lado, César Augusto Andrade representa a Blue Med Saúde, instituição parceira das Escolas de Surf de Santos e responsável pela representação da cidade na WSCN em 2026.

A atuação da Blue Med Saúde contribui para a continuidade dos programas e para a ampliação de oportunidades de acesso ao esporte, associando iniciativas de responsabilidade social à promoção da saúde e da inclusão.

Em 2027, a parceria da empresa com as Escolas de Surf de Santos completará dez anos, consolidando uma trajetória de apoio às atividades e aos projetos desenvolvidos no município.

A presença conjunta de Cisco Araña e César Andrade no encontro internacional reforçou a importância de Santos como referência no desenvolvimento de políticas e projetos que reconhecem o potencial do surf para transformar vidas.

A cidade já havia recebido, em 2023, um reconhecimento internacional da WSCN na categoria Inclusão. A conquista de 2026 reafirma o alcance de suas iniciativas e sua contribuição para a construção de cidades de surf mais inclusivas.

O prêmio também representa um reconhecimento ao trabalho coletivo desenvolvido ao longo de décadas por educadores, gestores, profissionais, parceiros institucionais e participantes das escolas de surf.

Com a aprovação de Itanhaém e Imbituba como novas integrantes da rede, Santos passa a compartilhar sua experiência com outras duas cidades brasileiras, ampliando as oportunidades de colaboração regional e internacional.

César Andrade, Cisco Araña, João Malavolta e Rodrigo Zanella: Santos e Itanhaém juntas na World Surf Cities Network
César Andrade, Cisco Araña, João Malavolta e Rodrigo Zanella: Santos e Itanhaém juntas na World Surf Cities Network. Foto: Divulgação

Ericeira celebra 15 anos de cooperação entre cidades de surf

A World Surf Cities Network foi fundada em novembro de 2011, em Donostia-San Sebastián, na Espanha, com o propósito de promover a cooperação entre cidades que reconhecem o surf como uma atividade estratégica para o desenvolvimento econômico, social e cultural.

Ao longo de 15 anos, a organização consolidou uma plataforma internacional de intercâmbio de experiências, construção de parcerias e desenvolvimento de projetos conjuntos.

A edição comemorativa de 2026 foi realizada sob a presidência da Ericeira, com participação do Município de Mafra e do Ericeira Surf Clube.

O encontro começou na terça-feira (20), com a recepção das delegações internacionais e a inauguração de uma exposição comemorativa na Rua Dr. Eduardo Burnay, apresentando imagens e identidades das cidades que integram a organização.

Exposição comemorativa dos 15 anos na Rua Dr. Eduardo Burnay e o mapa das cidades que integram a rede
Exposição comemorativa dos 15 anos na Rua Dr. Eduardo Burnay e o mapa das cidades que integram a rede

Exposição comemorativa dos 15 anos na Rua Dr. Eduardo Burnay e o mapa das cidades que integram a rede. Foto: Divulgação

Na quarta-feira (21), a Assembleia Geral reuniu os representantes municipais para avaliar resultados, discutir prioridades e deliberar sobre a entrada de novas cidades.

Foi nessa reunião que Itanhaém e Imbituba tiveram suas candidaturas aprovadas, ampliando a participação brasileira na rede.

Foto oficial dos membros da World Surf Cities Network reunidos na Ericeira
Foto oficial dos membros da World Surf Cities Network reunidos na Ericeira. Foto: Divulgação

A quinta-feira (22) foi dedicada à conferência internacional, que aprofundou a discussão sobre o papel do surf na economia, no turismo, na cultura e na sustentabilidade dos territórios.

O encontro proporcionou a troca de experiências entre representantes de países como Portugal, Espanha, França, Brasil, Chile, Equador, Peru, México e Costa Rica.

As discussões evidenciaram desafios compartilhados pelas cidades de surf, incluindo a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico e turístico com a proteção dos recursos naturais e a valorização das comunidades.

Ribeira d’Ilhas recebe celebração de encerramento dos 15 anos

A programação de sexta-feira (23) teve como cenário a praia de Ribeira d’Ilhas, um dos locais mais emblemáticos da Reserva Mundial de Surf da Ericeira.

O encontro contemplou o descerramento de uma placa comemorativa dos 15 anos da World Surf Cities Network, celebrando a trajetória de cooperação internacional iniciada em 2011.

A programação também incluiu a abertura do OLAS PRO TOUR, iniciativa que promove o intercâmbio esportivo e cultural entre jovens surfistas, reforçando a importância da formação de novas gerações.

Outro destaque foi a cerimônia dedicada ao reconhecimento de Cabo Blanco, no Peru, como destino de surf carbono neutro, ressaltando a crescente relevância da responsabilidade ambiental para os territórios ligados à modalidade.

Celebração em Ribeira d'Ilhas (foto 1)
Celebração em Ribeira d'Ilhas (foto 2)
Celebração em Ribeira d'Ilhas (foto 3)
Celebração em Ribeira d'Ilhas (foto 4)
Celebração em Ribeira d'Ilhas (foto 5)
Celebração em Ribeira d'Ilhas (foto 6)
Celebração em Ribeira d'Ilhas (foto 7)

Celebração em Ribeira d'Ilhas, com a apresentação do caballito de totora, embarcação tradicional peruana, e a delegação de Itanhaém com a bandeira Surf City. Fotos: Divulgação

A entrega dos WSCN Awards 2026 e a passagem de testemunho da presidência internacional marcaram o encerramento das comemorações.

Durante o encontro, foi definida a continuidade da governança da WSCN, com a presidência sendo transferida da Ericeira para Bahía de Banderas, no México, para o período de 2027.

O destino mexicano assumirá a responsabilidade de dar continuidade à articulação internacional da organização, ampliando oportunidades de cooperação entre cidades e fortalecendo sua agenda de desenvolvimento sustentável.

A celebração em Ribeira d'Ilhas reuniu o simbolismo de uma das ondas mais importantes de Portugal à trajetória de uma rede internacional que busca demonstrar como o surf pode conectar territórios, culturas e comunidades.

Uma nova etapa para Itanhaém e para o surf brasileiro

O encerramento do encontro dos 15 anos da World Surf Cities Network representa o início de uma nova etapa para Itanhaém e para a presença brasileira na organização.

A aprovação das candidaturas de Itanhaém e Imbituba, associada ao reconhecimento de Santos por suas iniciativas de inclusão, evidencia diferentes possibilidades de contribuição do surf para os territórios.

Enquanto Santos apresenta experiências consolidadas de inclusão social e acesso ao esporte, Itanhaém chega à rede com a oportunidade de integrar sua identidade histórica, seu patrimônio natural e sua cadeia econômica a uma estratégia de desenvolvimento sustentável.

A participação de João Malavolta na conferência internacional e a apresentação da plataforma Valor das Ondas também reforçam a necessidade de ampliar o conhecimento sobre os benefícios gerados pelas ondas e de desenvolver instrumentos capazes de apoiar sua conservação.

Para o Instituto Ecosurf, a integração de Itanhaém à rede não deve representar apenas uma conquista institucional. Trata-se de uma oportunidade para estabelecer novos compromissos com o futuro do município e contribuir para a construção de políticas públicas que valorizem a cultura do surf, fortaleçam a economia local e protejam os ambientes costeiros e marinhos.

O desafio agora é transformar o reconhecimento internacional em projetos, investimentos, parcerias, indicadores e resultados concretos para a cidade e suas comunidades.

A experiência de Ericeira demonstra que o futuro das cidades de surf dependerá cada vez mais da capacidade de reconhecer e conservar aquilo que constitui a base de sua própria identidade e economia: as ondas, as praias, os ecossistemas e as comunidades.

Mais do que receber um reconhecimento internacional, ser uma World Surf City representa a responsabilidade de construir um futuro no qual o desenvolvimento econômico, a valorização cultural, a inclusão social e a conservação do Oceano caminhem juntos.

Galeria de fotos

Clique em uma foto para ampliar ou em Baixar para salvar a imagem em alta resolução. Fotos: Divulgação.

Exposição dos 15 anos

Assembleia Geral

Conferência Internacional

WSCN Awards 2026

Celebração em Ribeira d'Ilhas

Leia também

Faça parte de quem protege o Oceano.