Ciência cidadã · Instituto Ecosurf
Da areia da praia ao mar aberto e aos produtos do dia a dia: pesquisa feita por surfistas, estudantes e pesquisadores para tornar visível uma poluição que quase não se vê.
O problema
Microplásticos são fragmentos de plástico com menos de 5 milímetros. Vêm de duas fontes: as primárias, que já nascem pequenas, como os pellets usados pela indústria e as micropartículas de cosméticos e produtos de higiene, e as secundárias, formadas pela quebra de plásticos maiores sob o sol e o mar.
Muitos organismos marinhos ingerem essas partículas, o que afeta a sua saúde e toda a cadeia alimentar, incluindo os seres humanos. O Projeto Microplástico do Ecosurf investiga essa poluição em três frentes.
Onde pesquisamos
Frente 01 · Itanhaém, SP · 2016
Entre 25 de maio e 9 de junho de 2016, em seis dias de campo, uma equipe do Ecosurf percorreu a Praia dos Pescadores, em Itanhaém, para coletar, classificar e contar, um a um, os resíduos depositados na areia, com foco nos fragmentos de plástico menores que 5 milímetros.


Composição dos 4.770 fragmentos, por tipo e tamanho.
Fragmentos por zona, da água em direção à área urbanizada.
Todos os resíduos coletados e triados em laboratório, por categoria. Os derivados de petróleo somam 7.346 itens, 97% do total.
Cada barra é um transecto. Passe o cursor ou toque para ver os detalhes.
Fonte: Projeto Microplástico, Instituto Ecosurf, 2016. Coletas de 25 de maio a 9 de junho de 2016. Densidades calculadas a partir das tabelas do relatório.
Conclusão
O microplástico estava presente em todos os 18 transectos da Praia dos Pescadores. Não é um problema pontual: é uma camada espalhada por toda a praia, mais densa onde a praia encontra a cidade.
A contaminação da Praia dos Pescadores reflete um problema global de poluição marinha. A resposta passa por um amplo trabalho de educação para a sustentabilidade e por um novo pacto entre governos, indústria e sociedade civil, que favoreça a redução das embalagens descartáveis, a economia circular e o uso racional dos bens naturais.
O estudo abre caminho para novas pesquisas, que ampliem o conhecimento sobre o microplástico no litoral brasileiro.
Frente 02 · Santa Catarina
A bordo do Veleiro Pangeia, em parceria com o Instituto Ecosurf, pesquisadores encontraram microplásticos nas águas ao redor da Ilha de Santa Catarina.
Para a coleta foi usada a rede Manta Trawl, equipamento padrão em pesquisas internacionais: uma rede de malha fina, rebocada lentamente na superfície do mar por um período determinado, que filtra as partículas em suspensão. O levantamento busca compreender a deriva dos microplásticos no entorno das ilhas, as fontes de chegada desses resíduos ao mar e apoiar soluções e políticas públicas para proteger o Oceano.
A poluição por plásticos já é reconhecida como uma crise global. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), atrás apenas da emergência climática, ela é hoje a segunda maior ameaça ambiental ao planeta, com impactos devastadores sobre todos os ecossistemas, incluindo a biodiversidade marinha.

“Encontramos microplásticos durante as coletas, e esses resultados são preocupantes, uma vez que, até então, em mar aberto, não temos muitas informações sobre a poluição por resíduos desse tamanho nas águas do Atlântico Sul.”João Malavolta, diretor do Instituto Ecosurf
“Estamos testando um protocolo de coleta e pesquisa para ser aplicado em uma expedição pela costa brasileira. O objetivo é traçar os caminhos da dispersão de microplásticos ao longo do litoral do país, ampliando o conhecimento científico sobre essa poluição.”Beto Fabiano, pesquisador
Frente 03 · Laboratório
Produtos de higiene pessoal e cosméticos podem trazer na fórmula micropartículas de resinas sintéticas, como polietileno e polipropileno. São fontes primárias de microplástico: já nascem pequenas e seguem pelo esgoto em direção aos rios e ao mar.
Em laboratório, amostras de creme dental e de sabonete foram diluídas em água, passadas por peneira e filtro e observadas com lupa e microscópio. As partículas azuis retidas no filtro e vistas ao microscópio evidenciam a presença de microplástico nos produtos analisados.


Apoie a pesquisa
O estudo foi feito para ser repetido. Cada nova campanha permite acompanhar a evolução do microplástico na areia e no mar, e levar a pesquisa a outras praias do litoral.
Seu apoio ajuda a viabilizar
É pesquisador, professor ou gestor público? Fale com o Ecosurf sobre parcerias de pesquisa.
O que fazer
A saída passa por reduzir o consumo de plásticos descartáveis, fortalecer políticas públicas e incentivar a economia circular, com educação para a sustentabilidade e um novo pacto entre governos, indústria e sociedade civil.