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Ecosurf reúne percepções de surfistas sobre crise climática e poluição para levar à COP30

04 de outubro de 2025

Com mais de 500 respostas de participantes de 19 estados, levantamento integra a campanha #SurfNaCOP30 e busca aproximar as experiências da comunidade do surf das discussões sobre o clima.

Brasil, outubro de 2025 — Mais de 90% dos participantes da pesquisa Raio-X Ecosurf afirmam perceber efeitos das mudanças climáticas no Oceano e nas condições de surf. O resultado preliminar faz parte de um levantamento nacional realizado pelo Instituto Ecosurf desde 2024, que reúne relatos sobre transformações ambientais, poluição plástica e proteção dos ecossistemas de surf.

Com mais de 500 respostas válidas, provenientes de 19 estados e mais de 90 municípios, a pesquisa busca compreender como surfistas e praticantes de atividades aquáticas acompanham as mudanças nos ambientes costeiros brasileiros.

A iniciativa integra a campanha independente #SurfNaCOP30, por meio da qual o Instituto pretende apresentar os resultados e um manifesto da comunidade do surf durante a Conferência do Clima da ONU, prevista para novembro de 2025, em Belém (PA).

A proposta é ampliar a presença desses relatos nos debates sobre conservação, mitigação e adaptação à crise climática, aproximando as discussões internacionais da realidade de quem frequenta o mar.

Aquecimento da água e erosão estão entre as mudanças percebidas

Entre os participantes, 79% relatam perceber aquecimento da água, 63% mencionam erosão e estreitamento das praias e 51% apontam aumento na frequência de ressacas.

Os dados expressam percepções dos respondentes e não constituem medições físicas desses fenômenos. Ainda assim, oferecem informações sobre mudanças observadas nos locais frequentados pela comunidade e podem contribuir para orientar pesquisas e ações de monitoramento.

Segundo o cofundador do Instituto Ecosurf, João Malavolta, a experiência de quem está na água merece espaço nas decisões sobre o litoral.

“Quem surfa sente antes de todos que o mar e os ambientes de surf mudaram. Essas vivências cotidianas são valiosas para compreender a influência dos eventos climáticos extremos e mudanças socioambientais no cotidiano de quem vive à beira-mar e construir políticas públicas que realmente considerem a realidade das zonas costeiras e seus povos”, afirma.

Plástico aparece com frequência nas praias

A presença de resíduos plásticos também se destaca nos resultados preliminares. Cerca de 87% dos participantes afirmam encontrá-los frequentemente ou sempre nas praias, enquanto 74% relatam já ter encontrado animais marinhos mortos ou encalhados.

O levantamento não permite estabelecer as causas das mortes ou dos encalhes, nem atribuí-los diretamente à poluição plástica.

Nas respostas sobre a origem dos resíduos, os participantes mencionam o lixo produzido nas cidades e transportado pela drenagem urbana, além do descarte inadequado nas praias por frequentadores e comerciantes.

Os relatos ajudam a direcionar o debate para a prevenção da poluição e para a responsabilidade compartilhada entre poder público, empresas e sociedade.

Disposição para agir e desafios da educação oceânica

A pesquisa também investiga hábitos e engajamento ambiental. 81% dos participantes afirmam ter adotado práticas mais sustentáveis, como reduzir o uso de descartáveis e participar de limpezas de praia. Outros 93% declaram disposição para se envolver mais ativamente na defesa do Oceano.

Ao mesmo tempo, 62% dizem desconhecer o conceito de “Ecossistemas de Surf”. Para o Instituto, o resultado aponta uma oportunidade de ampliar a educação oceânica e aproximar o conhecimento cotidiano dos instrumentos de conservação e participação social.

Estruturado em 40 perguntas abertas e de múltipla escolha, o formulário reúne surfistas, remadores, mergulhadores e admiradores do mar. No perfil preliminar, 72% se identificam como homens, 26% como mulheres e 2% como outros gêneros. Entre os respondentes, 68% possuem ensino superior completo ou pós-graduação, 58% surfam há mais de dez anos e 64% afirmam surfar semanal ou mensalmente.

Essas características descrevem o grupo participante e não devem ser generalizadas automaticamente para toda a comunidade do surf brasileiro.

Mensagens para o Oceano de 2050

Na etapa chamada “Cápsula do Tempo”, os participantes foram convidados a deixar mensagens para 2050. As respostas combinam preocupação com a degradação ambiental, vínculo com o mar e expectativas de mudança.

“Sem Oceano saudável, não há ondas. E sem onda, não há futuro”, escreveu um dos participantes.

Para o Ecosurf, a escuta também revela o potencial do esporte como espaço de mobilização e comunicação ambiental.

“O Raio-X Ecosurf demonstra o valor do surf como plataforma de mobilização e comunicação ambiental. Ao transformar experiências individuais em evidências coletivas, conseguimos conectar esporte, observação crítica e cidadania em uma mesma maré de propósito”, explica Malavolta.

Participação segue até 31 de outubro de 2025

A pesquisa permanece aberta até 31 de outubro de 2025. Os resultados preliminares estão disponíveis no Painel Interativo Raio-X Ecosurf, com previsão de incorporação do relatório final no início de novembro.

Surfistas, praticantes de esportes aquáticos e admiradores do mar podem acessar o formulário e conhecer a campanha pelo site surfnacop30.org.

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