Painel realizado em São Paulo reuniu Instituto Ecosurf e Sea Shepherd Brasil para discutir sustentabilidade nos eventos, conservação do Oceano e a responsabilidade socioambiental do surf.
O Instituto Ecosurf participou do Fórum Paulista de Surf 2026, realizado no Civi-Co, em Pinheiros, São Paulo. O evento reuniu atletas, profissionais do setor, gestores e especialistas em uma programação de três dias dedicada à formação, troca de experiências e discussão sobre o presente e o futuro do surf dentro e fora da água.
Representado por seu CEO, João Malavolta, o Ecosurf integrou um dos painéis da programação aberta ao público, dedicado à sustentabilidade no esporte, à responsabilidade socioambiental dos eventos e aos desafios relacionados à conservação do Oceano.
O debate foi conduzido pelo jornalista Lucas Conejero e contou também com a participação de Elea Moreira, da Sea Shepherd Brasil, reunindo diferentes perspectivas sobre a relação entre a indústria do surf, eventos esportivos, mobilização social e proteção dos ecossistemas costeiros e marinhos.
Sustentabilidade precisa fazer parte da estrutura do surf
Durante o painel, João Malavolta destacou a necessidade de avançar na integração entre o surf e as agendas de conservação marinha, cultura oceânica e responsabilidade socioambiental.
A discussão abordou a sustentabilidade para além de ações pontuais realizadas durante competições e festivais. A proposta é incorporar critérios socioambientais desde o planejamento dos eventos, considerando aspectos como geração e gestão de resíduos, consumo de materiais, uso de recursos, mobilidade, fornecedores, educação ambiental, comunicação e legado para os territórios onde as atividades são realizadas.
Essa abordagem também amplia a responsabilidade dos diferentes atores que compõem o universo do surf — organizações esportivas, atletas, patrocinadores, marcas, produtores de eventos, associações e poder público.
Para o Instituto Ecosurf, existe uma relação direta entre o futuro da modalidade e a conservação dos ambientes que possibilitam sua existência.
Sem praias ambientalmente saudáveis, água de qualidade, biodiversidade, ondas protegidas e ecossistemas costeiros conservados, a própria base ambiental, cultural e econômica do surf fica comprometida.
Surf como agente de mobilização pelo Oceano
A participação no Fórum também reforçou uma agenda defendida pelo Ecosurf ao longo de sua trajetória: o potencial da comunidade do surf como agente de mobilização pela conservação do Oceano.
A proximidade cotidiana dos surfistas com praias, rios, ondas e ambientes marinhos cria uma relação direta com problemas como poluição por resíduos, perda de biodiversidade, alterações da paisagem costeira, qualidade da água e intervenções que podem afetar as ondas.
Transformar essa relação em participação cidadã, produção de conhecimento e incidência sobre políticas públicas é um dos desafios para ampliar a contribuição do surf à agenda ambiental.
Nesse contexto, o Instituto Ecosurf trabalha com o conceito de Ecossistemas de Surf, compreendendo as ondas e os locais onde a modalidade acontece como sistemas que conectam dimensões ambientais, sociais, culturais e econômicas.
Proteger esses ecossistemas significa olhar não apenas para a onda, mas também para as praias, rios, bacias hidrográficas, biodiversidade, paisagem, comunidades e atividades econômicas relacionadas a esses territórios.
Eventos também podem deixar legado
Outro ponto discutido foi o papel dos eventos esportivos.
Competições e festivais de surf possuem capacidade de mobilizar atletas, público, marcas, mídia e comunidades. Essa visibilidade também pode ser utilizada para ampliar a cultura oceânica e estimular mudanças de comportamento.
O desafio está em transformar sustentabilidade em parte da gestão do evento, com metas, indicadores e resultados que possam ser acompanhados, em vez de restringi-la a ações isoladas de comunicação.
Nesse sentido, eventos de surf podem funcionar como plataformas de educação e mobilização e contribuir para deixar um legado socioambiental nos territórios que os recebem.
Surf e conservação na mesma agenda
A presença no Fórum Paulista de Surf 2026 reforça a atuação do Instituto Ecosurf na convergência entre surf, conservação do Oceano, mobilização social e proteção dos Ecossistemas de Surf.
Ao aproximar essas discussões dos profissionais e organizações que movimentam a modalidade, o objetivo é fortalecer uma cultura na qual o desenvolvimento do surf esteja associado à responsabilidade sobre os ambientes que sustentam sua prática.
Mais do que utilizar a natureza como cenário para o esporte, o desafio é reconhecer que praias, ondas e Oceano constituem sua própria infraestrutura natural.
Proteger o Oceano é proteger o presente e o futuro do surf.
Proteger o Oceano é da nossa Natureza.


