Instituto Ecosurf INSTITUTO · DESDE 2000
FAÇA PARTE ♥ DOE
Veleiro Pangeia visto da água, durante a Expedição Microplásticos

Ciência cidadã · Instituto Ecosurf

Projeto Microplástico.

Da areia da praia ao mar aberto e aos produtos do dia a dia: pesquisa feita por surfistas, estudantes e pesquisadores para tornar visível uma poluição que quase não se vê.

O problema

Menores que 5 milímetros, presentes em toda parte.

Microplásticos são fragmentos de plástico com menos de 5 milímetros. Vêm de duas fontes: as primárias, que já nascem pequenas, como os pellets usados pela indústria e as micropartículas de cosméticos e produtos de higiene, e as secundárias, formadas pela quebra de plásticos maiores sob o sol e o mar.

Muitos organismos marinhos ingerem essas partículas, o que afeta a sua saúde e toda a cadeia alimentar, incluindo os seres humanos. O Projeto Microplástico do Ecosurf investiga essa poluição em três frentes.

Onde pesquisamos

Dois pontos do litoral.

  • Praia dos Pescadores, Itanhaém, SPEstudo do microplástico na areia, em 2016.
  • Ilha de Santa Catarina, Florianópolis, SCExpedição Microplásticos, a bordo do Veleiro Pangeia, na volta à ilha.

Frente 01 · Itanhaém, SP · 2016

Quanto microplástico há na Praia dos Pescadores?

Entre 25 de maio e 9 de junho de 2016, em seis dias de campo, uma equipe do Ecosurf percorreu a Praia dos Pescadores, em Itanhaém, para coletar, classificar e contar, um a um, os resíduos depositados na areia, com foco nos fragmentos de plástico menores que 5 milímetros.

4.770fragmentos de microplástico coletados e contados
0,88fragmento por metro quadrado, em média
18transectos, do extremo norte ao extremo sul, em 6 dias de campo
24%da praia amostrada: 5.395 m² de 22.341 m²

Como a pesquisa foi feita.

  1. A praia foi dividida em 18 faixas (transectos) de 5 metros de largura, perpendiculares ao mar, da linha da maré baixa até a primeira barreira urbana.
  2. Cada faixa foi separada em três zonas: face da praia, berma e pós-praia.
  3. Quatro pesquisadores coletaram por 60 minutos em cada transecto, com pinças e peneiras, todo resíduo visível a olho nu.
  4. Cada coleta foi registrada em ficha de campo, com data, horário, maré, fase da lua e coordenadas geográficas do transecto.
  5. No laboratório, o material foi separado sobre papel milimetrado, medido e contado por tipo e tamanho.
Peneira laranja com fragmentos de plástico e pellets recolhidos na areia
Três placas de Petri com pellets, fragmentos de 5 a 2,5 mm e fragmentos menores que 2,5 mm

Mais da metade são pellets.

Composição dos 4.770 fragmentos, por tipo e tamanho.

  • Pellets, a matéria-prima da indústria do plástico2.610 54,7%
  • Fragmentos de 5 a 2,5 mm1.470 30,8%
  • Fragmentos menores que 2,5 mm690 14,5%

O plástico se acumula no alto da praia.

Fragmentos por zona, da água em direção à área urbanizada.

Face da praia
104 2,2%
Berma
530 11,1%
Pós-praia
4.136 86,7%

Tudo o que saiu da areia: 7.578 itens.

Todos os resíduos coletados e triados em laboratório, por categoria. Os derivados de petróleo somam 7.346 itens, 97% do total.

  • Microplástico (menor que 5 mm)
  • Outros resíduos
Pellets
2.610
Fragmentos de 5 a 2,5 mm
1.470
Plásticos maiores que 5 mm
1.072
Isopor
932
Fragmentos menores que 2,5 mm
690
Cera
224
Plástico filme
209
Filtros de cigarro
143
Nylon
139
Metal
60
Vidro
29

A poluição cresce de norte a sul.

Cada barra é um transecto. Passe o cursor ou toque para ver os detalhes.

Ver os dados em tabela

Fonte: Projeto Microplástico, Instituto Ecosurf, 2016. Coletas de 25 de maio a 9 de junho de 2016. Densidades calculadas a partir das tabelas do relatório.

Conclusão

O que os dados mostram.

O microplástico estava presente em todos os 18 transectos da Praia dos Pescadores. Não é um problema pontual: é uma camada espalhada por toda a praia, mais densa onde a praia encontra a cidade.

  • 0,88 / m²Quase um fragmento por metro quadradoForam 4.770 fragmentos em 5.395 m² amostrados. Mantida essa média, a superfície da praia inteira teria cerca de 19,7 mil fragmentos.
  • 55%Pellets são o item mais comumPellets são matéria-prima industrial, perdida antes de virar produto. A sua predominância sugere que parte importante do problema nasce na cadeia de produção e transporte do plástico, e não só no descarte de quem frequenta a praia.
  • 87%Acúmulo no pós-praiaQuase nove em cada dez fragmentos estavam na parte alta da praia, junto à área urbanizada, onde a maré alta deposita o material mais leve.
  • 4 vezesO sul concentra mais que o norteA densidade sobe de 0,39 fragmento por m² no setor norte para 0,87 no centro e 1,51 no sul. O transecto 17, no sul, teve o maior valor: 3,8 por m².

Um método rigoroso, feito para ser repetido.

  • Seis dias de campo, entre 25 de maio e 9 de junho de 2016, e 18 horas de coleta.
  • Uma ficha de campo para cada transecto, com horário, maré, fase da lua e coordenadas geográficas.
  • Quase um quarto da praia amostrado: 5.395 m² de 22.341 m².
  • 7.578 itens triados, medidos e contados em laboratório, sobre papel milimetrado.

O que o estudo recomenda.

A contaminação da Praia dos Pescadores reflete um problema global de poluição marinha. A resposta passa por um amplo trabalho de educação para a sustentabilidade e por um novo pacto entre governos, indústria e sociedade civil, que favoreça a redução das embalagens descartáveis, a economia circular e o uso racional dos bens naturais.

O estudo abre caminho para novas pesquisas, que ampliem o conhecimento sobre o microplástico no litoral brasileiro.

Em campo e no laboratório

Da areia ao papel milimetrado.

Seis placas de Petri com os resíduos separados: pellets, fragmentos, macroplásticos, nylon e isopor Pesquisador coleta fragmentos na areia com pinça e peneira Peneiras e pinça usadas na coleta, sobre a areia Pesquisador trabalha dentro de um transecto demarcado com barbante Pellets plásticos em detalhe Separação de fragmentos com pinça sobre papel milimetrado Fragmentos coloridos de plástico e pellets sobre papel milimetrado Placas de Petri com resíduos classificados por tamanho A palavra pellets e uma onda desenhadas com pellets sobre papel milimetrado

Frente 02 · Santa Catarina

Expedição Microplásticos.

A bordo do Veleiro Pangeia, em parceria com o Instituto Ecosurf, pesquisadores encontraram microplásticos nas águas ao redor da Ilha de Santa Catarina.

Para a coleta foi usada a rede Manta Trawl, equipamento padrão em pesquisas internacionais: uma rede de malha fina, rebocada lentamente na superfície do mar por um período determinado, que filtra as partículas em suspensão. O levantamento busca compreender a deriva dos microplásticos no entorno das ilhas, as fontes de chegada desses resíduos ao mar e apoiar soluções e políticas públicas para proteger o Oceano.

A poluição por plásticos já é reconhecida como uma crise global. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), atrás apenas da emergência climática, ela é hoje a segunda maior ameaça ambiental ao planeta, com impactos devastadores sobre todos os ecossistemas, incluindo a biodiversidade marinha.

Rede Manta Trawl rebocada ao lado do veleiro
“Encontramos microplásticos durante as coletas, e esses resultados são preocupantes, uma vez que, até então, em mar aberto, não temos muitas informações sobre a poluição por resíduos desse tamanho nas águas do Atlântico Sul.”João Malavolta, diretor do Instituto Ecosurf
“Estamos testando um protocolo de coleta e pesquisa para ser aplicado em uma expedição pela costa brasileira. O objetivo é traçar os caminhos da dispersão de microplásticos ao longo do litoral do país, ampliando o conhecimento científico sobre essa poluição.”Beto Fabiano, pesquisador
Tripulação da Expedição Microplásticos reunida no convés do veleiro Rede de coleta rebocada na superfície do mar Equipe reunida na cabine em torno de uma carta náutica e de um globo Mãos apontam a rota em uma carta náutica Pesquisador retira com pinça o material retido na peneira Fragmentos de microplástico separados com pinça sobre papel milimetrado Microplásticos coletados no mar ao lado da tampa de uma caneta, para escala Pesquisador examina com lupa o conteúdo da peneira Tripulação no convés do veleiro durante a navegação Pedaço de plástico boiando na superfície do mar Microplásticos ao lado de uma moeda, sobre papel milimetrado Pôr do sol visto do veleiro, entre os cabos do mastro Peneira com o material coletado pela rede

Frente 03 · Laboratório

O microplástico que sai pelo ralo.

Produtos de higiene pessoal e cosméticos podem trazer na fórmula micropartículas de resinas sintéticas, como polietileno e polipropileno. São fontes primárias de microplástico: já nascem pequenas e seguem pelo esgoto em direção aos rios e ao mar.

Em laboratório, amostras de creme dental e de sabonete foram diluídas em água, passadas por peneira e filtro e observadas com lupa e microscópio. As partículas azuis retidas no filtro e vistas ao microscópio evidenciam a presença de microplástico nos produtos analisados.

Partículas azuis retidas em uma peneira de laboratório
Partícula azul vista pela ocular do microscópio
Micropartículas azuis em uma placa de vidro Partícula azul de microplástico ao microscópio Tubo de ensaio com partículas azuis Partículas azuis retidas em papel de filtro Partículas azuis concentradas no fundo de um recipiente Amostra sendo lavada em peneira sob a torneira Pesquisador observa a amostra ao microscópio Partículas azuis vistas através de um tubo de vidro Microscópio de laboratório Equipe da pesquisa no laboratório, de jaleco, ao lado do microscópio e das amostras Creme dental e sabonetes analisados na pesquisa Embalagem de creme dental ao lado das micropartículas azuis extraídas do produto Balança de precisão com os produtos de higiene analisados Estudante observa a amostra com uma lupa Creme dental sendo diluído em água para a filtragem

Apoie a pesquisa

Apoie a próxima campanha de coleta.

O estudo foi feito para ser repetido. Cada nova campanha permite acompanhar a evolução do microplástico na areia e no mar, e levar a pesquisa a outras praias do litoral.

Seu apoio ajuda a viabilizar

  • Coletas em campo, com método padronizado e fichas de registro.
  • Triagem, medição e contagem do material em laboratório.
  • Atividades de ciência cidadã com estudantes e voluntários.
  • Publicação aberta dos resultados, como nesta página.

O que fazer

Proteger o Oceano é da nossa Natureza.

A saída passa por reduzir o consumo de plásticos descartáveis, fortalecer políticas públicas e incentivar a economia circular, com educação para a sustentabilidade e um novo pacto entre governos, indústria e sociedade civil.