Proposta para integrar a rede internacional a partir de 2027 foi apresentada durante o 33º Encontro com o Trade Turístico e destaca o potencial do surf para o turismo, a economia, a identidade territorial e a conservação.
A candidatura de Itanhaém para integrar a World Surf Cities Network (WSCN) a partir de 2027 foi apresentada durante o 33º Encontro com o Trade Turístico de Itanhaém, a convite da Secretaria Municipal de Turismo.
O encontro reúne representantes do poder público, empresários, empreendedores, entidades e profissionais ligados ao setor e constitui um dos principais espaços de diálogo e articulação sobre o desenvolvimento turístico do município.
A apresentação foi conduzida por João Malavolta, CEO do Instituto Ecosurf e coordenador técnico da candidatura, que apresentou os fundamentos da iniciativa, dados sobre a história e a cultura do surf em Itanhaém, características da cadeia econômica associada à atividade e as oportunidades relacionadas à participação do município em uma rede internacional de cidades que reconhecem o surf como ativo estratégico de desenvolvimento territorial.
Uma cidade com 26 quilômetros de litoral e 15 picos de surf
A candidatura parte de características concretas do território. Itanhaém possui aproximadamente 118 mil habitantes, 26 quilômetros de litoral, 14 praias e 15 picos de surf identificados ao longo de sua costa.
Entre eles estão Loty, Suarão, Pico do Cristo, Satélite, Praião, Boca da Barra, Pescadores/Prainha, Sonhos, Cibratel/Canto das Pedras, Cibratel II, Grandesp, Bopiranga, Gaivotas, Ilha das Gaivotas e Santa Cruz.
As características desses locais oferecem diferentes experiências de surf ao longo do município. A estimativa utilizada na construção da candidatura aponta cerca de 300 dias com condições surfáveis por ano, com destaque para as janelas de outono e inverno.
Mas a relação de Itanhaém com o surf não é recente. A história local reúne diferentes gerações de surfistas, atletas, fabricantes de pranchas, escolas, associações, comerciantes, fotógrafos e organizadores de eventos.
Há registros relacionados à prática do surf no município desde a década de 1950, enquanto festivais e competições fazem parte da história local desde os anos 1970. Ao longo das décadas seguintes, Itanhaém recebeu diferentes campeonatos e circuitos e revelou atletas que alcançaram projeção nacional e internacional.
Surf também movimenta uma cadeia econômica
Outro aspecto levantado durante a construção da candidatura é a existência de uma cadeia econômica diretamente relacionada ao surf.
O diagnóstico realizado para o processo identificou seis lojas especializadas, cerca de 25 estabelecimentos ligados à moda praia e surfwear, cinco fabricantes de pranchas, além de reparadores, fotógrafos, instrutores, escolas de surf e profissionais ligados à organização e arbitragem de competições.
O município conta ainda com aproximadamente 14 instrutores independentes, além de escolas e projetos que atendem desde iniciantes até pessoas com deficiência.
Dados levantados junto à Secretaria Municipal de Turismo apontam uma estimativa de aproximadamente 100 empregos diretos e 200 indiretos associados à cadeia local do surf, totalizando cerca de 300 postos de trabalho.
A cidade também mantém uma agenda de competições e atividades relacionadas à modalidade, com aproximadamente 15 eventos de surf por ano, entre campeonatos, festivais, encontros e outras iniciativas.
Esses números ajudam a demonstrar que o surf em Itanhaém não se restringe à prática esportiva. Ele está conectado a uma rede de pequenos negócios, serviços, profissionais, eventos e atividades que movimentam a economia local.
Turismo e surf
A candidatura também procura inserir essa cadeia dentro de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento turístico.
Itanhaém recebe cerca de 1,5 milhão de visitantes por ano, segundo dados utilizados no planejamento turístico municipal. A estrutura de hospedagem reúne 79 meios de hospedagem, 2.256 quartos e aproximadamente 8.749 leitos.
Nesse cenário, o turismo de surf representa uma possibilidade de diversificação do tradicional segmento de Sol e Praia.
Levantamentos realizados para a candidatura trabalham com uma estimativa inicial de aproximadamente 9 mil turistas de surf por ano, dado que deverá continuar sendo aprimorado e monitorado. A permanência média estimada desse público é de dois a três dias, com gasto médio diário em torno de R$ 350 por pessoa.
Além da busca pelas ondas, esse visitante utiliza hospedagem, alimentação, comércio, transporte e diferentes serviços, criando conexões entre o surf e outros setores da economia turística.
Por que apresentar a candidatura ao trade
Nesse contexto, a apresentação durante o 33º Encontro com o Trade Turístico representa uma etapa importante da articulação local.
Uma Surf City não é construída apenas pela existência de boas ondas. A estratégia envolve quem recebe visitantes, administra hotéis e pousadas, trabalha com alimentação, organiza eventos, mantém escolas de surf, produz pranchas, movimenta o comércio, oferece experiências e participa da construção da imagem do destino.
A aproximação com o trade permite discutir como essa identidade pode ser incorporada ao planejamento turístico e transformada em oportunidades concretas para diferentes setores da economia local.
Também amplia a participação na candidatura, aproximando a proposta de atores que serão fundamentais para sua implementação caso Itanhaém seja oficialmente integrada à World Surf Cities Network.
Desenvolvimento depende de conservação
A candidatura também procura estabelecer uma relação direta entre desenvolvimento econômico e conservação ambiental.
Itanhaém está inserida em um território de elevada relevância ecológica. O município mantém 85,9% de cobertura vegetal nativa, correspondente a aproximadamente 51,4 mil hectares, e está conectado a um conjunto de áreas protegidas e territórios de grande importância para a conservação da Mata Atlântica e do ambiente costeiro e marinho.
Essa dimensão ambiental está diretamente relacionada à proposta de reconhecer e proteger os Ecossistemas de Surf — espaços onde ondas, praias, biodiversidade, paisagem, cultura, comunidades e atividades econômicas estabelecem relações entre si.
Para o Instituto Ecosurf, responsável pela construção técnica da candidatura, reconhecer o surf como ativo territorial significa também reconhecer que sua valorização econômica e turística depende da conservação dos ambientes que tornam essa experiência possível.
Proteger praias, ondas, rios, biodiversidade, paisagens e a qualidade das águas não é, portanto, uma agenda separada do desenvolvimento turístico. É parte da infraestrutura ambiental que sustenta esse desenvolvimento.
Uma estratégia construída a partir da identidade local
A candidatura de Itanhaém à World Surf Cities Network busca organizar essas diferentes dimensões dentro de uma estratégia comum.
São 26 quilômetros de litoral, 15 picos de surf, cerca de 300 dias surfáveis por ano, uma cadeia econômica formada por centenas de profissionais e trabalhadores e uma história com o surf construída ao longo de várias gerações.
Ao apresentar esses dados ao trade turístico, a proposta é ampliar a compreensão de que esse patrimônio pode contribuir para uma estratégia de longo prazo envolvendo turismo, esporte, cultura, economia, educação, planejamento territorial e conservação do Oceano.
A candidatura é uma iniciativa do Instituto Ecosurf, com responsabilidade institucional da Prefeitura Municipal de Itanhaém, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, pela aplicação oficial junto à Presidência da World Surf Cities Network.
Mais do que buscar o reconhecimento como Surf City, o processo propõe transformar uma relação histórica de Itanhaém com o surf em planejamento para o futuro.
Itanhaém tem história, cultura, território, economia do surf e Oceano. A candidatura à World Surf Cities Network busca conectar esses ativos e transformá-los em oportunidades para o desenvolvimento sustentável da cidade.


