Visita técnica a Portugal reuniu experiências sobre conservação dos Ecossistemas de Surf, governança territorial, turismo e desenvolvimento econômico em dois dos principais destinos de surf do país.
O Instituto Ecosurf realizou uma visita técnica a Ericeira e Nazaré, em Portugal, para conhecer experiências relacionadas à gestão da cultura do surf, proteção das ondas e desenvolvimento territorial associado ao turismo de surf.
A agenda foi conduzida por João Malavolta, CEO do Instituto Ecosurf, e teve como objetivo conhecer modelos que possam contribuir para o desenvolvimento de políticas, projetos e estratégias voltadas à valorização das ondas e dos Ecossistemas de Surf no Brasil.
O principal encontro realizado na Ericeira foi com Miguel Barata de Almeida, presidente do Ericeira Surf Clube, para uma troca de experiências sobre a relação entre surf, conservação ambiental, governança territorial, identidade cultural, turismo e desenvolvimento econômico.
Ericeira: surf, território e conservação
A experiência da Ericeira oferece uma referência internacional sobre como a valorização do surf pode estar associada à proteção do território.
A região reúne ondas reconhecidas internacionalmente e uma forte cultura ligada ao surf, que se conecta a escolas, eventos, comércio, hospedagem, alimentação e outros serviços relacionados à atividade turística.
A visita permitiu discutir como uma cidade de surf vai além da existência de boas ondas. A consolidação desse tipo de estratégia envolve planejamento, participação da comunidade, governança, articulação entre sociedade civil, poder público e setor econômico e, principalmente, conservação dos ambientes onde o surf acontece.
Nesse contexto, a proteção dos Ecossistemas de Surf passa a fazer parte do próprio planejamento territorial. Ondas, praias, paisagens, biodiversidade, cultura e atividades econômicas estão conectadas e precisam ser consideradas de maneira integrada.
Nazaré e a dimensão econômica das ondas
Em Nazaré, a visita técnica permitiu observar outra dimensão da relação entre surf e desenvolvimento local.
As ondas gigantes projetaram o município internacionalmente e transformaram o fenômeno natural em uma atração que alcança um público muito maior do que a comunidade de surfistas.
Fotógrafos, pesquisadores, produtores audiovisuais, famílias, turistas e visitantes interessados em observar as ondas passaram a integrar uma dinâmica turística associada ao mar e à paisagem.
O caso ajuda a demonstrar que o valor econômico de uma onda não está restrito às pessoas que efetivamente entram na água para surfar.
Hospedagem, alimentação, transporte, comércio, eventos, produção audiovisual e outros serviços podem ser movimentados pela presença de um recurso natural capaz de gerar identidade e atratividade para um território.
Essa perspectiva também reforça a necessidade de produzir dados que permitam compreender melhor os impactos econômicos, sociais, culturais e ambientais relacionados às ondas.
Ondas como ativos territoriais
As experiências observadas em Portugal dialogam diretamente com uma das agendas desenvolvidas pelo Instituto Ecosurf: ampliar o reconhecimento das ondas para além de sua dimensão esportiva.
Uma onda pode possuir simultaneamente valor ambiental, econômico, social, cultural e paisagístico. Quando esses valores são reconhecidos e incorporados ao planejamento, a proteção das ondas deixa de ser uma pauta restrita ao surf e passa a integrar uma estratégia mais ampla de desenvolvimento das cidades costeiras.
Essa abordagem também permite compreender por que determinadas intervenções no litoral precisam considerar seus possíveis impactos sobre a formação das ondas, a dinâmica costeira, a biodiversidade e as atividades econômicas e culturais relacionadas ao surf.
Referências para as cidades brasileiras de surf
A agenda em Portugal fortalece o trabalho desenvolvido pelo Instituto Ecosurf para estimular políticas e estratégias voltadas às cidades brasileiras que possuem uma relação relevante com o surf.
O intercâmbio internacional também contribui para a construção técnica da candidatura de Itanhaém à World Surf Cities Network (WSCN), iniciativa coordenada tecnicamente pelo Instituto Ecosurf.
Itanhaém possui 26 quilômetros de litoral e 15 picos de surf identificados, além de uma história ligada à modalidade e uma cadeia formada por escolas, instrutores, fabricantes de pranchas, comércio especializado, atletas, eventos e outros profissionais.
Conhecer experiências como as de Ericeira e Nazaré permite analisar soluções desenvolvidas em outros territórios e avaliar como princípios relacionados à governança, conservação, turismo e economia do surf podem ser adaptados à realidade brasileira.
Mais do que reproduzir modelos internacionais, o objetivo é compreender seus aprendizados e utilizá-los como referência para construir estratégias adequadas às características ambientais, culturais, sociais e econômicas de cada território.
Para o Instituto Ecosurf, essa discussão parte de um princípio central: as ondas também constituem patrimônio dos territórios costeiros e sua conservação pode estar diretamente relacionada à cultura, ao turismo, à economia e à qualidade ambiental das cidades.
Proteger as ondas é também proteger os Ecossistemas de Surf e os diferentes valores que eles geram para as comunidades e para o território.


