
No próximo dia 15, comemoramos o Dia do Professor e também o Dia do Educador Ambiental. Remetendo às minhas raízes — como professor e educador ambiental —, inevitavelmente, a primeira expressão que me vem à cabeça, principalmente quando penso na educação ambiental, é esta: “Dar nó em pingo d’água!”. No caso dos educadores surfistas, água salgada!
Das dificuldades da educação, de maneira geral, no nosso país, todos já conhecemos. Mas, quando se trata especificamente da educação ambiental, o desafio ganha proporções ainda maiores.
Na maioria das vezes, ela é interpretada apenas como a famosa “saída de campo”, o “vamos fazer uma trilha” ou, ainda, o “vamos falar de mata e bicho”. Esse olhar fragmentado, que a coloca à margem dos processos educacionais, dificulta a construção de uma educação libertadora, capaz de promover uma relação mais equilibrada entre o ser humano e o meio em que vive.
A grande questão está na velha, mas sempre vigente, visão egocêntrica da humanidade, alimentada por um modelo de sociedade consumista. O afastamento entre o ser humano e a Natureza fortalece um pensamento de superioridade e posse. Essa perspectiva, ainda dominante, repercute também na formação educacional — algo que Paulo Freire denunciou ao criticar a chamada “educação bancária”, na qual o professor deposita informações e os alunos são tratados como meros receptores de conteúdo.
Só que, mais do que nunca, a educação e o PLANETA pedem uma aprendizagem baseada na EXPERIÊNCIA, na vivência e na conexão. Nunca foi tão importante reconhecer o papel de áreas do conhecimento como História e Filosofia, que nos ajudam a compreender como chegamos até aqui, a questionar o modelo de sociedade que construímos e a refletir sobre outros caminhos possíveis.
Precisamos compreender que não somos donos do planeta, mas, SIM, parte dele.
E, nesse contexto, onde se encontram os educadores ambientais?
DANDO NÓ EM PINGO D’ÁGUA!
Muitas vezes, tendo de explicar o óbvio, demonstrar os fatos e alertar sobre o inevitável!
É preciso, urgentemente, que a educação ambiental deixe de ocupar um lugar periférico e passe a ser compreendida como essencial. É preciso que os ambientes naturais sejam reconhecidos como ambientes de aprendizagem e que essas experiências nos aproximem novamente da Natureza — e da consciência de que fazemos parte dela.
Só assim poderemos assumir a responsabilidade de transformar valores e prioridades, para que deixem de atender exclusivamente a interesses individuais e passem a considerar o bem coletivo. Precisamos resgatar o senso de COMUNIDADE, reconhecendo os saberes ancestrais e os conhecimentos dos povos originários, que há muito nos ensinam diferentes formas de pertencimento e convivência com a Natureza.
Enfim, sou educador ambiental porque reconheço minha responsabilidade com o MEU planeta, a minha CASA. E sou surfista, sou do Mar, porque eles são parte de MIM.
Devemos proteger o que somos e o que amamos.
Os artigos de opinião refletem a visão de seus autores e não necessariamente a posição institucional do Instituto Ecosurf.


