
O mar e a humanidade pedem cuidado. É tempo de confiar que a forma como agimos muda tudo. Ainda dá tempo.
O nosso mar está cada dia mais poluído em suas profundezas; o processo de reciclagem não dá conta do lixo que geramos. Resíduos como o plástico já somam milhões de toneladas submersas e, se seguirmos nessa toada, em 2050 — em menos de 30 anos, na fase adulta dos nossos filhos —, teremos mais plástico do que peixes no oceano. E então? O que será do planeta nessa progressão? Não sabemos ao certo, mas temos recebido alguns recados.
Nesse domingo, elegemos muitas cadeiras que representam e promovem a devastação do meio ambiente e dos direitos humanos. Renunciamos a “Marinas” e, no lugar delas, colocamos a apologia bélica, o conservadorismo e a opressão.
Eu me incluo nesse quadro eleitoral, reconheço em mim a opressão em potencial. Muitas vezes, no dia a dia, na forma de educar meus filhos, fico confusa entre o amor que já posso entregar e a força castradora pela qual fomos colonizados (ela está viva em mim, certamente). Trânsito entre atuar a partir da mulher livre que venho me tornando e o lampejo conservador, o machismo estrutural que ainda, lá no fundo, habita minhas crenças. E posso afirmar que exterminar o inimigo já foi, um dia, parte das minhas ideias.
No entanto, nas minhas profundezas — às quais me dedico pessoalmente há anos —, com a mesma coragem com que posso reconhecer em mim o resíduo do colonialismo e do individualismo cego e dominador, o que quero construir como humanidade, e que é a base do meu horizonte diário, é uma nova ordem pessoal, estrutural e mundial.
Um horizonte sem divisões, mas que olha para o amor à vida, à natureza, ao ser humano. É tempo de transição. Vamos por mais 4 anos; por AMOR, é preciso.
Nesse tempo, vamos nos comprometer a nos aprofundar juntos, estudar, conhecer micropolíticas que atuam em prol da vida, que já estão em andamento e que se sustentam na raça. Há diversas delas; temos projetos consistentes em todos os temas, acreditem.
Vamos desenvolver o senso crítico para exterminar políticas podres, independentemente de lados. Vamos evitar que lixos determinem o futuro da nossa humanidade e nos preparar melhor para escolher caminhos que ampliem a vida, e não apenas nossos interesses pessoais. É a hora.
O terror, a provocação e a separação extrema são dinâmicas que apenas enfraquecem o coletivo. Alimentar isso é sustentar a própria lógica de dominação; portanto, o caminho é frear esse ciclo, mergulhar fundo e focar na vida, em nosso país e em nossos oceanos.
Que a sabedoria das águas nos guie, e que a força do Oceano nos lembre de que somos um só, e que o único horizonte comum há de ser: servir à vida, no planeta e na própria humanidade.
Os artigos de opinião refletem a visão de seus autores e não necessariamente a posição institucional do Instituto Ecosurf.


