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Ecobarreira em Itanhaém intercepta 49,2 kg de resíduos antes que avancem em direção ao Oceano

25 de setembro de 2026

Projeto desenvolvido pelo Instituto Ecosurf e Ocean Drop no Rio do Poço combina prevenção, monitoramento e geração de dados para enfrentar a poluição por resíduos a partir das bacias hidrográficas.

O Projeto Ecobarreira Itanhaém-SP interceptou 49,2 quilos de resíduos e contabilizou 564 itens durante quatro ações de coleta e monitoramento realizadas entre setembro de 2025 e abril de 2026 no Rio do Poço, em Itanhaém, litoral de São Paulo.

A iniciativa integra a Missão Oceano, parceria entre o Instituto Ecosurf e a Ocean Drop, e atua no enfrentamento à poluição no Oceano a partir de uma perspectiva fundamental para a prevenção do lixo no mar: as bacias hidrográficas.

Instalada em um curso d’água, a ecobarreira funciona como um ponto de interceptação dos resíduos transportados pelo sistema de drenagem antes que continuem seu deslocamento em direção aos ambientes costeiros e marinhos.

Mais do que retirar materiais do ambiente, o projeto busca monitorar o que está sendo transportado pela água, gerar dados sobre os resíduos encontrados e produzir informações que possam contribuir para estratégias de prevenção e gestão territorial.

Quatro coletas e 564 itens monitorados

Entre setembro de 2025 e abril de 2026, foram realizadas quatro ações de coleta e caracterização dos materiais retidos pela estrutura.

Os resultados mostram variações importantes entre os períodos monitorados:

ColetaPeríodoResíduos
01Setembro/202512,5 kg
02Dezembro/20259,7 kg
03Fevereiro/202621,1 kg
04Abril/20265,9 kg
TotalSet/2025 – Abr/202649,2 kg

A terceira coleta, realizada em fevereiro de 2026, apresentou a maior concentração registrada no período, com 21,1 kg e 221 itens.

Entre os materiais encontrados ao longo do monitoramento estão garrafas PET, pedaços e fragmentos de plástico, isopor, embalagens de alimentos e outros tipos de embalagens.

A composição encontrada ajuda a identificar materiais que circulam pelo território e alcançam os cursos d’água, fornecendo informações para compreender melhor as fontes e os caminhos percorridos pelos resíduos.

O lixo no mar também é um problema das bacias hidrográficas

A estratégia da Ecobarreira parte do entendimento de que o enfrentamento à poluição no Oceano não pode começar apenas quando os resíduos chegam às praias ou ao ambiente marinho.

Ruas, sistemas de drenagem, córregos, canais e rios estão conectados. Quando descartados inadequadamente, resíduos produzidos nas cidades podem ser transportados pela chuva e pelos cursos d’água ao longo das bacias hidrográficas.

Por isso, atuar nos rios significa trabalhar em uma etapa anterior dessa trajetória.

A Ecobarreira funciona como uma ferramenta de prevenção e interceptação, mas também como um ponto de observação do problema. O objetivo não é simplesmente retirar continuamente o lixo que chega à estrutura, mas utilizar as informações produzidas para compreender por que esses materiais estão alcançando o rio e quais medidas podem contribuir para evitar que isso aconteça.

Da coleta à geração de dados

Cada ação realizada no Rio do Poço inclui o monitoramento dos resíduos interceptados.

A quantidade, o número de itens e a tipologia dos materiais encontrados permitem construir uma série histórica e observar alterações ao longo do tempo.

Essas informações podem contribuir para orientar ações de educação para a cultura oceânica, prevenção da poluição, comunicação, gestão de resíduos e planejamento territorial, além de apoiar o debate sobre políticas públicas voltadas à redução do lixo nos ambientes aquáticos.

O monitoramento também permite avaliar períodos de maior concentração e investigar possíveis relações com chuvas, dinâmica da drenagem urbana, descarte inadequado e outras características do território.

Dessa forma, a estrutura física é apenas uma das dimensões do projeto. Interceptar, monitorar, compreender e prevenir fazem parte de uma mesma estratégia.

Prevenir antes que o resíduo chegue ao Oceano

Para o Instituto Ecosurf, enfrentar o lixo no mar exige atuar sobre todo o percurso dos resíduos.

A retirada de materiais das praias continua sendo importante, especialmente para evitar sua permanência e fragmentação no ambiente. Mas uma estratégia de longo prazo também precisa avançar sobre as fontes e os caminhos que permitem que esses resíduos cheguem aos ecossistemas costeiros e marinhos.

É nessa perspectiva que o Projeto Ecobarreira Itanhaém-SP se conecta à Missão Oceano.

A iniciativa desenvolvida pelo Instituto Ecosurf e Ocean Drop busca integrar prevenção, interceptação, monitoramento e geração de dados para produzir conhecimento capaz de contribuir para melhores estratégias de enfrentamento à poluição no Oceano.

Os primeiros resultados do Rio do Poço ajudam a tornar visível um problema que muitas vezes percorre silenciosamente o território: o lixo descartado na cidade não desaparece. Ele pode passar pela drenagem, alcançar rios e canais e continuar seu caminho até o mar.

Proteger o Oceano começa muito antes da praia. Começa nas cidades, nas bacias hidrográficas e na prevenção para que o lixo não chegue aos rios.

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