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Pesquisa Ecosurf: 91,8% dos surfistas participantes percebem impactos da crise climática no Oceano

10 de julho de 2026

Com 539 respostas de surfistas de 18 Unidades da Federação e relatos sobre 725 locais de surf, o Observatório Ecosurf reúne dados sobre mudanças climáticas, poluição plástica e proteção dos ecossistemas costeiros.

O mar mudou. E quem vive na arrebentação já percebeu.

O Instituto Ecosurf disponibiliza publicamente os resultados do Raio-X Ecosurf 2024–2025, uma pesquisa nacional que investigou a percepção socioambiental da comunidade do surf sobre crise climática, poluição plástica, saúde do Oceano, proteção das ondas e engajamento ambiental.

Com 539 respostas válidas, participação de surfistas de 18 Unidades da Federação e relatos sobre 725 locais de surf, o levantamento transforma experiências de quem está dentro d’água em uma base estruturada de informações sobre os ambientes costeiros brasileiros.

O principal alerta é expressivo: 91,8% dos participantes afirmam que o Oceano já está sendo afetado pelas mudanças climáticas. Entre as transformações percebidas estão a elevação do nível do mar, relatada por 53,6%, e a perda ou o estreitamento das praias, indicada por 50,3%.

Os resultados refletem a percepção dos participantes. Não constituem, por si só, medições ambientais nem devem ser generalizados automaticamente para todos os surfistas brasileiros.

Observatório Ecosurf amplia o acesso aos resultados

Para tornar os dados acessíveis, o Instituto lançou o Observatório Ecosurf, uma plataforma interativa que permite cruzar informações, aplicar filtros territoriais, comparar recortes regionais e explorar respostas abertas dos participantes.

A ferramenta foi desenvolvida para apoiar jornalistas, pesquisadores, educadores, organizações da sociedade civil e gestores públicos na interpretação dos resultados e no debate sobre políticas de proteção das praias, ondas e ecossistemas costeiros.

O levantamento também valoriza a contribuição da comunidade do surf para a ciência cidadã. A presença frequente no mar permite acompanhar mudanças na qualidade da água, no comportamento das ondas, na faixa de areia, na presença de resíduos e na fauna marinha. Esses relatos podem ajudar a identificar problemas e orientar investigações e ações de monitoramento.

O surf como observador das transformações costeiras

A pesquisa indica que a crise climática já faz parte da experiência cotidiana de muitos participantes. Erosão, ressacas, alterações nas ondas, aquecimento da água e mudanças na paisagem das praias aparecem entre as transformações relatadas.

Essas observações precisam ser interpretadas em diálogo com estudos e monitoramentos ambientais, pois diferentes processos podem contribuir para as mudanças percebidas em cada território.

Para o surf, as consequências têm uma dimensão direta: praias e ondas são a infraestrutura natural do esporte.

Quando uma praia perde faixa de areia ou tem sua dinâmica costeira alterada, os efeitos podem alcançar a biodiversidade, o acesso ao mar, a prática esportiva, o turismo, a economia local e os modos de vida associados à costa.

Proteger esses ambientes significa cuidar também da cultura e das comunidades que se desenvolveram ao redor das ondas.

Poluição plástica faz parte da rotina dos participantes

Outro resultado central do Raio-X Ecosurf é a frequência dos relatos sobre resíduos plásticos: 93,9% dos participantes afirmam encontrá-los sempre ou frequentemente nas praias que frequentam.

O percentual evidencia como a presença de plástico se tornou recorrente na experiência da comunidade pesquisada, reforçando a necessidade de prevenção, gestão adequada dos resíduos e enfrentamento das fontes de poluição.

A pesquisa também aponta que 43,2% dos participantes relatam observar animais marinhos mortos sempre ou frequentemente.

Esse resultado merece atenção, mas não permite determinar as causas das mortes nem estabelecer uma relação direta com a poluição plástica. Os registros reforçam a importância de monitoramento especializado e investigação das condições ambientais nos territórios mencionados.

Mudanças individuais e cobrança por respostas coletivas

A comunidade pesquisada também relata mudanças de comportamento. 97,2% dos participantes afirmam ter alterado hábitos pessoais em resposta à crise ambiental.

Ao mesmo tempo, os resultados mostram uma forte demanda por ações públicas e empresariais:

  • 99,6% defendem mais investimentos públicos no combate à poluição.
  • 98,0% cobram maior responsabilização das empresas.
  • 76,3% afirmam estar dispostos a se envolver ativamente na proteção do Oceano.

Para o Instituto Ecosurf, esse conjunto de respostas sinaliza que o engajamento individual precisa ser acompanhado de políticas públicas, fiscalização, infraestrutura e responsabilidade corporativa.

A disposição para agir abre espaço para iniciativas que conectem participação comunitária, educação ambiental, produção de dados e incidência sobre decisões que afetam as zonas costeiras.

Vivência ambiental e acesso ao conhecimento

Um dos achados da pesquisa está no contraste entre a experiência cotidiana no mar e o conhecimento de conceitos ligados à conservação: 53,2% dos participantes afirmam desconhecer o conceito formal de “Ecossistemas de Surf”.

O desconhecimento do termo não significa ausência de conhecimento sobre o território. Os relatos mostram que muitos participantes reconhecem mudanças ambientais e demonstram disposição para proteger os lugares onde surfam.

O dado revela uma oportunidade para ampliar o acesso à cultura oceânica, à comunicação científica e aos instrumentos de participação na gestão costeira.

Compreender os ecossistemas de surf envolve olhar para as relações entre ondas, praias, fundos marinhos, qualidade da água, biodiversidade e comunidades. Essa perspectiva ajuda a conectar a prática esportiva à conservação dos processos naturais que tornam o surf possível.

Da percepção à participação

Com o Raio-X e o Observatório Ecosurf, o Instituto busca aproximar a experiência da comunidade do surf dos debates sobre conservação, planejamento territorial e políticas públicas.

A proposta é transformar observações em informação acessível e criar condições para que surfistas participem de forma mais qualificada das decisões sobre o futuro das praias e das ondas.

Quem acompanha o mar de perto pode contribuir para identificar mudanças, fortalecer o monitoramento e mobilizar respostas. Proteger o Oceano também passa por ouvir essas vozes.

Acesse o Observatório Ecosurf: Observatório Ecosurf

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